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Cidades muralhadas da Espanha: Lugo, Albarracín, Morella, Toledo e Cáceres

Cinco cidades cercadas por muralha na Espanha, do perímetro romano inteiro de Lugo ao castelo de Morella, com medidas, épocas e como chegar a cada uma.

Equipe Espanha Secreta · ·8 min de leitura
Vista aérea da muralha romana de Lugo rodeando por completo a cidade velha, ao fim da tarde
foto Adnñzo8 · Public domain

Muita cidade espanhola conserva um pedaço de muralha. Poucas mantêm o cinturão à vista e em uso, como parte do trajeto diário de quem mora dentro e de quem visita. Este artigo reúne cinco e diz o que cada uma oferece a quem anda pelo perímetro, com medidas e datas de fontes públicas.

Lugo: a única que fecha o círculo

A muralha romana de Lugo mede 2.266 metros, tem 85 torres, das quais 71 restam, e dez portas, cinco romanas e cinco abertas entre 1853 e 1921. Foi construída entre os anos 260 e 325, quando a cidade era a Lucus Augusti romana, e é a única fortificação romana que conserva todo o perímetro. A Unesco a inscreveu em 30 de novembro de 2000.

O que a distingue é o passeio de ronda, o adarve, no alto. Ele é percorrido como uma rua, por quem mora e por quem visita, o que permite dar a volta completa na cidade sem sair da altura. A muralha nem sempre foi tão visível: em 1971, um decreto mandou demolir as construções encostadas na parte externa, e caíram 130 edifícios e 1.429 barracões que a escondiam.

Lugo fica a 105 km de Santiago de Compostela pelo painel do site e é cabeça de etapa do Caminho Primitivo. Dá para juntar a muralha, a catedral, de 1129, e o Museo Provincial num só dia.

Morella: o círculo que sobe até o castelo

Morella tem 2.501 habitantes (INE, 2025) e uma muralha de 2.500 metros de perímetro, com 10 a 15 metros de altura. As obras começaram entre 1324 e 1330, mas a maior parte é de 1358 a 1465, erguida sobre muralhas muçulmanas de 1084. São sete portas históricas e mais de doze torres. Dentro do cinturão, a cidade sobe por uma colina até o castelo.

O castelo, a 1.072 metros e com Bem de Interesse Cultural, abre todos os dias, das 11h às 19h de abril a setembro e das 11h às 17h de outubro a março, segundo o turismo municipal. A entrada geral custa 5 euros. Ele fecha com alerta meteorológico laranja ou vermelho, e a subida tem mais de 90 degraus, sem acesso para cadeira de rodas nem carrinho de bebê.

A vila fica a 985 metros de altitude e tem 50 dias de geada por ano, então o inverno é duro. Pelo painel do site, junho a setembro é o período em que dá para andar sem casaco.

Albarracín: a muralha que acompanha o desfiladeiro

A muralha de Albarracín rodeia por completo o casco histórico, e seus trechos mais visíveis são do século XIV. O primeiro recinto é do século X e incluía a igreja de Santa María, o alcázar, a Torre del Andador e a porta de entrada. No século XI o perímetro cresceu, com três portais novos: o de Teruel, que desapareceu no XIX, o de Molina e o da Água.

Depois da conquista por Pedro III de Aragão, em 1284, o recinto foi reformado, e as obras de Pedro IV, no século XIV, estenderam o muro para nordeste. Foram feitas em alvenaria, com muros de 1,60 metro de espessura e 12 de altura, e torreões prismáticos de 16 metros, separados por uns 40 metros. O que se vê hoje vem dessa etapa. No século XVIII, Filipe V desmantelou a fortaleza depois da Guerra de Sucessão.

A vila é toda em ladeira, a mais de mil metros. Vale seguir a ordem do guia: Plaza Mayor, catedral, alcázar e, no fim, a muralha até a Torre del Andador, que é de aparelho muçulmano.

Toledo: muralha, portas e rio

Em Toledo, sobre uma colina cercada por um meandro do Tajo, as portas são os trechos da muralha que o guia do destino lista: a Puerta del Sol, mudéjar, a Puerta Nueva de Bisagra, a Puerta Vieja de Bisagra, a Puerta del Vado e a Puerta del Cambrón. As duas pontes principais sobre o Tajo são a de Alcántara e a de San Martín.

A Puerta Nueva de Bisagra foi reconstruída a partir de cerca de 1540, e as obras terminaram em 1576. Tem dois corpos unidos por muros com ameias, com um pátio no meio e uma estátua de Carlos V. O lado de fora tem dois torreões circulares, e o lado da cidade, dois torreões quadrados de telhado piramidal. Uma escavação de 1999 mostrou que a estrutura renascentista foi erguida sobre um acesso em cotovelo bem mais antigo.

A cidade fica a 75 km de Madri pelo painel, e o trem (comboio) Avant liga as duas em 33 minutos.

Cáceres: a muralha almóada

A muralha de Cáceres marca o limite da cidade velha, onde viviam 297 pessoas em 2025. Nasceu para proteger a colônia romana de Norba Caesarina, mas a maior parte da muralha atual é almóada, do fim do século XII e do começo do XIII. É de alvenaria e taipa, tem em média 3 metros de espessura e, em alguns trechos, passa de 10 metros de altura. Bem de Interesse Cultural desde 1930, está inscrita na Unesco junto com a cidade velha, em 1986.

A lista de torres é longa: Bujaco, Púlpitos, Aire, Ochavada, Pozos, Mochada, Espaderos e várias outras. A de Bujaco, do século XII, com cerca de 25 metros e assentada sobre blocos romanos reaproveitados, hoje é centro de interpretação e deixa subir ao adarve para ver os telhados. No século XV, Isabel, a Católica, mandou cortar o topo de todas as torres da cidade, menos a dos Cáceres-Ovando, a Torre de las Cigüeñas.

As entradas incluem o Arco da Estrela, o Arco do Cristo e a Puerta de Coria. A cidade velha se percorre a pé.

Outras muralhas do guia

Se a viagem já passa por essas regiões, vale contar mais cinco:

  • Girona: o Passeig de la Muralla percorre o caminho de ronda das muralhas carolíngias do século IX e medievais dos séculos XIV e XV.
  • Segóvia: a muralha tem cerca de 3 km de perímetro e oitenta torres, e conserva as portas de San Cebrián, de Santiago e de San Andrés.
  • Tarragona: a muralha romana tinha cerca de 4 km no século III a.C., e restam cerca de 1 km e uma porta original.
  • Úbeda: o passeio da muralha sul, a Redonda de Miradores, dá vista para o mar de oliveiras.
  • Logroño: o Revellín, com a porta do Caminho, é um resto das fortificações.

Como escolher

Se a ideia é dar a volta inteira, Lugo e Morella são as mais completas. Lugo pelo passeio de ronda aberto ao público, Morella pelo perímetro de 2,5 km e pelo castelo. Se a prioridade é arquitetura de portas e de torres, Toledo e Cáceres oferecem mais variedade. E se a escolha é por ambiente, Albarracín combina a muralha com um casario de arenito avermelhado.

Cada uma tem acesso diferente. Toledo e Lugo têm trem. Cáceres tem trem e ônibus (autocarro). Albarracín e Morella dependem de carro ou de ônibus com poucas saídas: o de Albarracín sai de Teruel de segunda a sábado, e o de Morella sai de Castelló de segunda a sexta. O artigo sobre ônibus na Espanha detalha o que esperar desse tipo de linha.

Perguntas frequentes

Qual é a muralha mais antiga?

A de Lugo, construída entre os anos 260 e 325, é romana. A de Cáceres nasceu romana, mas a maior parte da atual é almóada, do fim do século XII. As de Albarracín têm o primeiro recinto do século X.

Dá para andar por cima da muralha?

Em Lugo, sim: o passeio de ronda é aberto a quem caminha. Em Cáceres, a Torre de Bujaco permite subir ao adarve. Nas outras, confira no posto de turismo.

Qual é a maior?

Entre as que têm o perímetro publicado, a de Morella, com 2.500 metros, e a de Lugo, com 2.266 metros.

Quando é melhor ir a Morella?

O clima é de alta montanha, com verões frescos, invernos muito frios e 50 dias de geada por ano. O período para andar sem casaco vai de junho a setembro.

A muralha de Albarracín é Patrimônio Mundial?

A vila não tem o título, que consta como proposta. O que a Unesco protege na região é o conjunto de arte rupestre do arco mediterrâneo.

Fontes
Mencionados neste artigo
Lugo Galícia Albarracín Sierra de Albarracín Morella Maestrazgo Toledo Toledo e a Mancha Cáceres Extremadura
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