Free tour por Ciudad Rodrigo
Palácios, ruas medievais e um castelo são as estrelas do nosso free tour por Ciudad Rodrigo, um dos povoados mais bonitos da província de Salamanca.
Uma noite em Ciudad Rodrigo muda a visita. O primeiro dia fica com o que todo mundo vem ver, a cidade dentro da muralha. O segundo sai dela: de manhã, de carro, até as gravuras paleolíticas de Siega Verde, à beira do mesmo rio Águeda; à tarde, de volta, para olhar a cidade como campo de batalha da guerra contra Napoleão. É um roteiro para quem está de carro, porque não há trem e Siega Verde fica no meio do campo.
A catedral de Santa María foi promovida pelo rei Fernando II de León por volta de 1168 e levou até o século XIV para ficar pronta. Pertence ao mesmo grupo das catedrais de Zamora e de Salamanca, a Velha. Repare no triforio: o historiador Gómez-Moreno chamou suas janelas de as melhores do românico. A torre é bem mais nova. Foi levantada no fim do século XVIII, em estilo neoclássico, depois que a anterior caiu no terremoto de Lisboa.
Na praça ao lado estão o monumento ao general Herrasti e o túmulo de Julián Sánchez, el Charro, guerrilheiro da Guerra da Independência. O free tour por Ciudad Rodrigo, de 90 minutos, costura essa parte da cidade.
Depois do almoço, a Plaza Mayor. É aqui que, no Carnaval, se monta a arena de madeira de planta retangular. No resto do ano, a casa consistorial do século XVI domina a praça. Dali saem as ruas dos palácios: o dos Águila, com seu pátio plateresco; o dos Ávila y Tiedra, renascentista, recentemente restaurado e dedicado à hotelaria; a Casa de los Vázquez, gótica, que hoje abriga os Correios; e a Casa de la Cadena, que serviu de quartel desde a Guerra de Sucessão.
O farinato era chamado de chouriço do pobre e hoje é a especialidade da cidade, servido com ovos fritos. A chanfaina e o hornazo completam a carta. Depois do jantar, a praça do castelo, com o verraco de granito dos vetões, é o passeio mais curto.
Siega Verde é um sítio arqueológico ao ar livre, à beira do rio Águeda, a pouco mais de 15 km de Ciudad Rodrigo. O acesso é pela ponte de La Unión, na estrada que liga Castillejo de Martín Viejo a Villar de la Yegua. Foi descoberto em 17 de outubro de 1988, graças à informação de um pastor da região.

Desde então foram catalogadas mais de 500 gravuras, em 96 painéis espalhados por um quilômetro de margem. As figuras mais comuns são cavalos, auroques, cervos e cabras. Há também renas, rinocerontes-lanudos e bisões, espécies que desapareceram destas latitudes e que denunciam a idade das gravuras, entre 20.000 e 9.000 anos. Em 2010, a UNESCO inscreveu o sítio na lista do Patrimônio Mundial, como extensão do conjunto de arte rupestre do Vale do Côa, em Portugal.
As gravuras são protegidas por uma cerca e há um centro de interpretação no local. Confirme antes os dias e horários de visita guiada.
De volta, a tarde é da guerra. Em 1810, o marechal Ney cercou a cidade por 24 dias. As tropas espanholas do marechal Herrasti só se renderam quando os franceses abriram uma brecha na muralha, e a resistência atrasou em um mês a terceira invasão de Portugal. Em janeiro de 1812 foi a vez de Wellington, que tomou a praça dos franceses depois de abrir duas brechas. Morreram no assalto os generais britânicos Mackinnon e Craufurd.
Por conta própria, caminhe pelo lado de fora da muralha para ver os baluartes do século XVIII, em dentes de serra, que cercam o muro medieval. Passe pelas seis portas que restam: Sol, Conde, Amayuelas, Sancti Spiritus, Colada e Santiago. Uma sétima, a falsa porta do Rei, ficava em frente à torre da catedral e se perdeu. Fora do recinto, as ruínas do convento de San Francisco conservam duas capelas funerárias do século XVI.
Feche a viagem no castelo de Enrique II. A torre de menagem tem 17 metros de lado, e o conjunto é parador desde 1931, depois de ter sido museu regional e hospedaria municipal. Para a última sobremesa, peça floretas ou obleas, doces que no começo eram feitos nos conventos.
Outubro e novembro são os meses de mais chuva na estação de referência do painel, com 50 e 39 mm, e Ciudad Rodrigo costuma receber mais do que isso. Com tempo fechado, troque a ordem: a catedral e os palácios num dia, e Siega Verde só se o céu abrir, porque a visita é toda ao ar livre.
Terça é dia de mercado em Ciudad Rodrigo desde 1475, quando os Reis Católicos concederam à cidade um mercado franco semanal, como compensação pelos cercos que a posição de fronteira lhe custava. Em agosto, em geral na segunda terça-feira do mês, o Martes Mayor leva o comércio e os restaurantes para a rua. No fim do mesmo mês acontece a Feira de Teatro, com dezenas de companhias.
Dentro da muralha. A segunda noite permite sair cedo para Siega Verde e voltar a tempo do almoço.
Dá para ir a Siega Verde sem carro? O sítio fica em área rural, junto a uma ponte de estrada. Sem carro, pergunte no posto de turismo de Ciudad Rodrigo por visitas organizadas.
Vale combinar com Portugal? A fronteira está a 25 km. O Vale do Côa, do outro lado, forma com Siega Verde o mesmo bem do Patrimônio Mundial.
E com Salamanca? Salamanca fica a 92 km pelas contas do painel, pela autovia A-62. O roteiro de um dia serve para quem vem de lá e volta no mesmo dia.
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